O triste fim de um ser quase humano
O Gorila da Montanha - uma espécie severamente ameaçada de extinção - está, neste momento, sendo exterminada pela insanidade de seu único predador, o homem. Os últimos exemplares do primata cuja constituição orgânica mais se aproxima do Homo Sapiens, depois do Chimpanzé, estão sendo mortos vítimas de uma guerra absurda travada no seu habitat natural, o Parque Nacional Kahuzi-Biega, na fronteira da ex República do Zaire - atual República do Congo - com Uganda e Ruanda. |
O Parque se localiza em uma região devastada por guerras múltiplas entre tribos e paises rivais. Entre 1996 e 1998 mais de 600.000 pessoas morreram nessas guerras insanas. O grande problema é que essa área é habitada pelas duas espécies de Gorilas mais ameaçadas de extinção - o Gorila da Montanha e o Gorila das Planícies do Leste. Estima-se que 100 dos 250 Gorilas da montanha já foram exterminados. Os 150 sobreviventes continuam sendo sistematicamente caçados. Colecionadores estrangeiros chegam a pagar 1000 dólares pela cabeça do animal. Valor que é útil para a miserável população da região e para a sobrevivência da guerrilha. Os Gorilas da montanha foram celebrizados no filme Na Montanha dos Gorilas, que conta a vida da Antropóloga americana Dian Fossey (foto ao lado). Ela passou vinte anos de sua vida estudando os Gorilas até ser cruelmente assassinada por caçadores. |
Apesar de seus 480.000 quilômetros quadrados de parques nacionais - área equivalente à do estado do Mato Grosso - as reservas ecológicas correm mais riscos na África que em qualquer outro lugar do planeta. Entre governos corruptos e autoritários, confrontos tribais e hordas de miseráveis, as organizações preservacionistas internacionais encontram natural dificuldade de incluir entre as prioridades dos africanos o bem-estar dos Gorilas ou dos Rinocerontes, por exemplo. Enquanto isso a devastação corre solta. Segundo um estudo recente, pelo menos 100 espécies de animais somem da face da terra a cada ano. Nesse ritmo, a África acabará perdendo definitivamente uma das poucas riquezas que lhe resta, a fartura e a beleza de seus animais selvagens. O homem está exterminando o que, possivelmente, seja um dos elos mais fortes com o seu passado remoto, sem lembrar que o fim da diversidade animal com toda a sua carga genética será o inexorável fim de nossa própria espécie. |
A foto abaixo diz tudo. É isso que a fome, a guerra e a insensatez humanas
estão fazendo...
